image_pdf
Reflexões, Versos & Prosa

A vida é loka, mano!

“Porque Deus me fez assim, dona de mim”

Na moral, Iza? Fez não, mano!

Tô ligado que minha opinião não te importa porque o meu conceito não altera a sua visão. Legal isso aê, admiro sua firmeza. Mas se você quer mesmo ir além, sem limites… se liga:

A gente não é dono de nada, nem de ninguém. Aliás, a gente não é dono nem da gente. Se uma veiazinha entope, já era… tâmo na mão de um médico que, sabe-se lá… não tá num dia bom…

Mano, eu não preciso nem de religião pra provar isso, a vida mostra pra gente a todo instante que a galera que empina o nariz e diz que é dona de si, geralmente, esquece dos amigos, dos chegados, até mesmo da família. Aliás, essa ideia de não precisar de ninguém é a coisa mais idiota que alguém pode pensar.

A gente vacila e, pow!, já entrega o coração pra alguém que, aos pouquinhos, vai se tornando dono da gente. A gente entra em depressão e, pow!, o chocolate vira nosso dono. A gente perde alguém que ama e, pow!, a saudade põe um cabresto pesado na gente e diz: “Você é meu!”

Na boa, todo mundo pertence a alguém. Querendo ou não, admitindo ou não, a gente é de alguém. E pra mim, quer saber? Não há nada melhor que pertencer. Pertencer a alguém, a algum lugar, ao coração de alguém. A gente fala essas paradas aê de “mando em mim”, “chego a hora que quero”, “pago minhas contas”, mas isso é tudo conversinha… Eufemismo – só pra falar bonito.

Bom mesmo é saber que tudo aquilo que tem dono também se perde. Você não disse que se perdeu no caminho? Pode crer, alguém vai te achar e vai dizer: “De quem é?” E vai por mim, a vida vai te mostrar que a pior sensação é ouvir: “Né de ninguém não…”

Mas numa coisa eu tenho que concordar com você…

A vida é loka, mano! A vida é loka!

Reflexões, Versos & Prosa

Amar é a maré

Não falo (mais) sobre o amor. Afinal, não me sinto à vontade para falar de coisas que não entendo. Aliás, se há algo certo sobre o amor é exatamente a incerteza, e quem ama, inevitavelmente tem que lidar com isso. O amor tira de você todo o controle da vida, do ir e vir, do raciocinar, do querer…

Não falo (mais) sobre o amor. Afinal, quando começo um desenho, eu sei como vou terminá-lo, por isso, uso caneta, não lápis, não borracha, não cinza, não pastéis… preto no branco, com tinta, com força, com certeza, com precisão porque preciso. Mas quem disse que ele aceita? Às vezes, ele é capaz de apagar a tinta mais densa, o risco mais profundo, o rabisco mais significativo.

Não falo (mais) sobre o amor. Afinal, eu volto do estacionamento todas as vezes só pra conferir se realmente tranquei a porta. É chato e desconcertante ter que pegar o elevador de novo só pra ter certeza de algo que tenho certeza. Se tenho? É… se tivesse mesmo não voltava. Mas preciso, odeio essa sensação de não-fechado, meio-terminado, mal-começado, pouco-amado.

Não falo (mais) sobre o amor. Afinal, tem que se ter certeza… e quem tem certeza me dá medo. Essa segurança do “eu sei” não me cai bem. O “eu acho” é tão mais fácil, tão mais flexível, tão mais simples. A droga é que o amor é uma droga mesmo, porque ele se ajeita em todo o canto. Até no “eu acho” ele dá um jeito de se ajeitar.

Não falo (mais) sobre o amor. Afinal, quem se atreveria a falar do amor depois que disseram que por ser exato, ele não cabe em si? Para um cara com obsessão por simetria, tem que caber, ué! Mas para meu desespero, não cabe, transborda, se expande, se esfrega, invade e fim.

Definitivamente, não falo (mais) sobre o amor. Deixa ele falar de mim, por mim e pra mim, porque ele sim, sabe das coisas. Quando quer, diz. Quando vem, fica. E mesmo quando vai, deixa… e não volta pra cobrar porque…

Ele tem de sobra.