Graça, Reflexões

Eu sou pior do que você imagina

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Recentemente, recebi um daqueles eventuais ataques que trazem em si aqueles verbos tão cruéis: desmoralizar, ofender e machucar. Oras, não é de hoje que defendo com veemência aquilo que creio e professo. Já criei, naturalmente, uma casca grossa contra esses ataques, porém, parece-me que uma coisa não ficou clara para esses: eu sou humano.

Talvez essa seja a máxima do pleonasmo, do chover no molhado, do “subir pra cima” da vida, mas o que é tão óbvio para você, talvez tenha que ser explicado, desenhado e modelado com massinha para alguns. Eis a pergunta que me incomoda: o que te faz pensar que me chamar de pecador é ofensa? Você acha realmente que, quando diz que eu sou uma pessoa que julga os outros, isso me deixa irado ou com vontade de esfregar a sua cara no asfalto? Permita-me desenhar.

O fato de eu defender uma fé que exige santidade e amor, não significa em absoluto que eu seja padrão moral ou referencial de um ou de outro. E mesmo que, numa utopia ridícula, eu o fosse, eu não seria esta referência, porque o Eterno a é. Ele é e sempre será o nosso modelo de perfeição e meta de vida. Ademais, se eu fosse esperar alcançar tal padrão para exercer vida ministerial, eu morreria frustrado por não ter vivido o suficiente.

Assim, quando você, numa tentativa frustrada de justificar suas culpas, me acusa de isso ou aquilo, saiba que você não sabe, da reza, um terço. Eu sou muito, mas muito pior do que aquilo que você imagina. Faço coisas que me arrependo de ter nascido. Duvido da minha fé tantas vezes num ano, que eu deveria era abandonar a carreira. Penso coisas, às vezes, que teria vergonha de sequer sugerir ou mencionar. Por isso, quando você me acusa dessas bobagens mimizentas, eu fico é feliz! Quem me dera essas fossem as minhas únicas culpas!

As pessoas que têm um discurso muito bonito de santidade, que expõem suas benesses na rede ou ainda divulgam sua vida piedosa em busca de likes (Thank, Insta!), escondem, geralmente, inveja, orgulho, medo e frustração. Por outro lado, quem sabe bem o quão sujo e deplorável seria, não fosse pela graça de Deus, não tem qualquer receio ou rugas de preocupação por serem acusados de nada. Na verdade, eles perguntam assim: “Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus?” – refletem, reconhecem quem são e, então, gritam aos quatro ventos: “É Deus quem os justifica.” (Rm. 8.33)

Portanto, quando for me acusar, capricha! Porque eu sou muito pior do que você imagina.

No amor do Pai,

Roger

Oração, Reflexões

Essa semana, Deus vai te surpreender

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Sabe esses posts com essas mensagens que parece que Deus separou exatamente para você ler, se alegrar e comentar “Amém!”, exercitando sua fé porque naquela semana Ele vai te surpreender? Então… não é Ele não, tá? rs Isso chama-se Clickbait, ou em bom português, Caça-Likes.

“Mas, Roger, como é que ele apareceu exatamente naquela hora que eu mais precisava? Você não crê?”

Não! rs

Acontece que, por mais inteligentes que sejam as redes sociais, elas “decidem” se o post é ou não relevante pela quantidade de curtidas, compartilhamentos e comentários como o seu “Amém!”. Como no seu círculo de amigos, a quantidade de crentes deve ser grande (Alelóia!), isso vira uma bola de neve [Ap. Rina curtiu].

“Tá… então, você não crê que Deus vai me surpreender essa semana?”

Não! rs

Mas calma, antes de você me chamar de Filho de Belial, Tomé, herege ou sei-lá-o-quê, permita-me lhe dizer porque não creio nessas bobagens.

Há em curso uma banalização generalizada da bênção de Deus, em que esta é dispensada a todos pelo simples fato de que Ele é muito bom, ama todo mundo e quer ver todo mundo feliz – um verdadeiro Papai Noel. Como disse Alexander Mora num artigo sobre Bonhoeffer: “A fé se torna barata quando é oferecida como um produto de consumo para satisfazer as massas que buscam uma mensagem que se encaixe aos seus desejos pessoais.”

O que precisamos entender é que o relacionamento com Deus é dinâmico, pessoal e reservado. Na comunhão dos santos, vivenciamos a experiência da adoração comunitária, mas é no íntimo do nosso quarto, com as portas do nosso coração fechadas para o mundo, que descobrimos a vontade do Eterno para nós.

As bênçãos de Deus podem ser surpreendentes, mas não deveriam ser surpresa para nós, já que, como disse o salmista: “O Senhor confia os seus segredos aos que o temem, e os leva a conhecer a sua aliança.” (Sl. 25:14)

Quando Jesus fez o milagre da multiplicação, todos os discípulos estavam ali, já na transfiguração, somente os íntimos foram convidados. A pergunta é: você prefere encher a barriga com o povão ou ver a glória de Jesus? (Lc. 9.32)

Eis o que creio: creio que o Senhor deseja compartilhar seus segredos conosco, mas Ele não fará isso a rodo, muito menos distribuindo “surpresas” pelas redes sociais.

Deus tem uma surpresa reservada para você, e Ele deseja contá-la no Monte da Intimidade, no sussurro da graça, no lugar secreto da oração. Ali, sim, você pode dizer com convicção: “Que assim seja!”

No amor do Pai,

Roger

Incoerência, Reflexões

Sejje Sincera

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Quando falamos que o mundo precisa desesperadamente de Jesus, não é porque queremos que as pessoas se associem à nossa religião, à nossa igreja ou aos nossos costumes. Dizemos isso, porque Suas palavras são de paz, amor, tolerância e perdão. O fato de alguns conhecerem uma figura caricata de Jesus através de alguns de Seus seguidores, em nada muda Seus ensinamentos, exemplos, princípios, e muito menos Sua importância na história da humanidade. Mesmo assim, essa foi uma de Suas preocupações: “Quem dizem os homens que eu sou?”
 
Acordamos com a notícia de que a blogueira Alinne Araújo se suicidou. A dona do blog Sejje Sincera teria se jogado do nono andar do prédio onde morava. No dia anterior, Alinne havia se casado “sozinha”, pois o noivo teria desistido do enlace pouco antes. Blogueiros afirmam que o motivo do suicídio foram as críticas e chacotas que Alinne sofreu diante de sua atitude inusitada. Por outro lado, a Veja noticiou o seguinte:
 
“O pai do noivo, Orlando da Costa, afirmou que o rapaz desistiu da união após se sentir “espantado” com a decisão de Alinne em pedir o testamento. “Ele queria se casar, foi até o advogado, mas esse documento deixou ele assustado”, contou. “Meu filho não é um canalha, se fosse seria até melhor nesse caso, porque ele está sofrendo muito”, dispara. “Para mim é uma coisa inédita, uma pessoa pedir que a outra assine um testamento deixando todos os bens pouco antes de casar. Quem assinaria isso?”
Vê-se que o mesmo ódio que provavelmente tenha sido o gatilho definitivo para o suicídio de Alinne é agora acionado contra o noivo. Você não precisa ser muito espiritual para ouvir as gargalhadas de Satanás diante de uma sociedade que se mata com palavras.
 
Veja, você tem até o direito de achar que o ser humano é ruim por si só. Que nada disso tem a ver com Deus ou com o diabo. Mas da mesma forma, eu tenho o direito de acreditar que a raça humana nasceu a partir das mãos do Eterno, e que Este deixou-lhe as marcas de Suas digitais espalhadas por toda sua existência. Pra mim, o ser humano não pode ser tão maligno pelo simples fato de se esconder atrás de uma tela. Pra mim, a sociedade está doente, essa doença chama-se pecado, e a única cura para tudo isso é JESUS.
 
Diante de tanta evolução e tecnologia, talvez você ache muito simples essa ideia, mas esse é o escândalo das palavras de Jesus: elas são simples e alcançam a todos com perdão e amor. A isso, chamamos GRAÇA.
 
Que o Senhor tenha misericórdia e conforte os familiares da Alinne, o seu noivo e todos os que a seguiam.
 
No amor do Pai,
 
Roger