Pastoral

Abba

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De todas as experiências incríveis com minha bebê, preciso eleger 3. Não que elas sejam as melhores, porque todas são incríveis, mas certamente foram as mais marcantes, afinal minha falha memória só guarda aquilo que me marca, o que pode me trazer esperança ou angústia.

Como esquecer a primeira cólica? Jamais vou esquecer o nosso desespero como pais de primeira viagem ao ouvi-la gritando de dor. Na falta da experiência, sobrou amor. Abracei-a com todo o carinho e me deitei com ela sobre o peito. Aquele choro tão espremido foi se tornando em doces e espaçados soluços, até que ela dormiu. A médica falou algo sobre o calor relaxar músculos, mas preferi minha versão de pai com superpoderes.

Meu segundo momento preferido vem em pequenas doses diárias de amor. Fazendo o almoço ou passando roupa, do nada, o silêncio da casa é quebrado com o mais doce e verdadeiro: “Papai, eu te amo!”, seguido de um longo e apertado abraço. Graças a Deus, eu não consigo descrever essa sensação – eu seria o melhor escritor do mundo e vocês não iam aguentar meu deboche! Mas é como se toda falta de autoestima fosse regada por gotas de afeto até virar sequoia.

Mas nenhum momento supera o chegar em casa e ser recebido com aqueles bracinhos abertos pedindo colo. “Bia, o papai chegou!” era a senha pra iniciar todo o reset da alma. Parecia que o mundo desconexo se encaixava, era o outro lado do tapete, aquele em que as linhas formam um lindo desenho.

Durante séculos, nós reduzimos a fé a um conjuntinho de regras que, se bem obedecidas, nos colocam num cercadinho lindo, cheio de outras ovelhinhas iguais, que têm o mesmo balido e a mesma lã branquinha. Acontece que o obedecer nunca foi passaporte, mas destino. Aliás, a alguém que nunca teve seu visto aprovado, Ele disse: “Hoje mesmo você vai me encontrar no paraíso”.

Ei, até quando você vai resumir sua jornada a chorar e pedir colo apenas quando chega a dor? O Pai sente falta dos seus “eu te amo” aleatórios! Daquela ansiedade ao final do dia para estar com Ele.

Não se trata de “eu não tô fazendo nada de errado”, mas de parar de anestesiar a consciência como a mentira do “Ele me entende”.

Então, volta pra casa, o Abba tá com saudade de você.

Publicado por Roger da Escola

L. Rogério (o “Roger da Escola”) é pai da Bia, fundador da Escola de Adoração, formado em Sistemas, Marketing, Comunicação, Teologia e faz MBA em Mktg pela USP. Fã do Cheescake Factory e de The Big Bang Theory.

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