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Reflexões, Versos & Prosa

Morrer de amor

Se há uma morte que valha, morrida ou matada, é a do morrer de amor. Claro que quem foi não voltou pra dizer, mas tem um dizer assim, que é tão bom morrer de amor e continuar vivendo…

Tem quem lhe confunda com o ódio, té porque, dói no mesmo lugar e dá o mesmo nó na goela. Acho até que são parentes, se não, andam de mãos dadas.

Mas cê tem que entender que quem tá com ódio não sabe que ama, e quem ama não sabe odiar. É igual que nem alergia, né gripe não, e se trocar uma letrinha vira alegria.

Mas bem pior que morrer de amor é não ter por quem morrer. Porque quem grita seu amor no vácuo pode até ter o dissabor de um eco não ouvir, mas pelo menos grita, diz, mostra, sinaliza.

Ruim mesmo é se fechar todo com medo de morrer desse mal. Olha onde pisa… Não vai se iludir… Vai se arrepender depois… Isso mata, hein… E de cuidado em cuidado a gente não é cuidado e nem cuida.

Mas quer saber? Vale a pena! Mesmo quando é fatal, mesmo quando é de mentirinha. Vale até quando é maçã e você queria salada mista.

Pensa assim: se ele disser sim, você morre. Se ele disser não, você morre também! De um jeito ou de outro, você já era. Por que não arriscar?

Então, conselho de quem morreu: vai lá, diz logo de uma vez. O não você já tem, mas o não nunca te terá. Porque senão, passa a vida e você se arrepende do que não disse. Se arrepende até do que desdisse!

E se ele não se ligar na ofegância e no perfume, manda essa logo de uma vez: EU TE AMO, IDIOTA!

Reflexões, Versos & Prosa

Luiz Gonzaga

Cresci ouvindo histórias da igrejinha no sertão, sempre regadas à muita música boa e no melhor estilo do brasileiríssimo choro.

Na verdade, papai não sabe exatamente o quê toca. Quando tocávamos juntos em minha adolescência, era comum vê-lo esnobar uma escala diminuta sem (ele) sequer sonhar do que se tratava.

Não esqueço da primeira vez que o vi encerrar uma música com sexta e nona: “Pai, que acorde é esse?” – “Sei lá!”

Parece que esse mesmo empirismo papai trouxe para a vida. De tudo, um pouco sabe. De tudo, um pouco aprecia. De tudo, um pouco já sofreu.

Mas de tudo e um pouco, o que mais me encanta é o pouco que fala. Talvez o pouco que interfira… mas muito mais o pouco com que se satisfaz.

Só vi papai chorar umas 2 ou 3 vezes. Quando perdeu seu melhor amigo, quando me contou sobre a conversão de um outro amigo e quando me viu solteiro novamente.

Não sei se essa valentia toda vem da pacata Catolé do Rocha ou se vem lá do alto, da fé, de seus momentos incansáveis de leitura da Palavra, tudo o que sei é que me encanta, me inspira e inevitavelmente me motiva.

Por muito tempo me iludi nesta herança. Cheguei a acreditar que o dom da música e da leitura, naturalmente herdados, me fariam parecido, até mesmo igual. Mas igual ninguém é. E papai… ah… papai é ímpar.

Minha oração neste dia é que o Nosso Pai dê a meu pai o que papai deu pra mim: vida, alegria e paz.

Feliz aniversário, pai!

Reflexões, Versos & Prosa

A vida é loka, mano!

“Porque Deus me fez assim, dona de mim”

Na moral, Iza? Fez não, mano!

Tô ligado que minha opinião não te importa porque o meu conceito não altera a sua visão. Legal isso aê, admiro sua firmeza. Mas se você quer mesmo ir além, sem limites… se liga:

A gente não é dono de nada, nem de ninguém. Aliás, a gente não é dono nem da gente. Se uma veiazinha entope, já era… tâmo na mão de um médico que, sabe-se lá… não tá num dia bom…

Mano, eu não preciso nem de religião pra provar isso, a vida mostra pra gente a todo instante que a galera que empina o nariz e diz que é dona de si, geralmente, esquece dos amigos, dos chegados, até mesmo da família. Aliás, essa ideia de não precisar de ninguém é a coisa mais idiota que alguém pode pensar.

A gente vacila e, pow!, já entrega o coração pra alguém que, aos pouquinhos, vai se tornando dono da gente. A gente entra em depressão e, pow!, o chocolate vira nosso dono. A gente perde alguém que ama e, pow!, a saudade põe um cabresto pesado na gente e diz: “Você é meu!”

Na boa, todo mundo pertence a alguém. Querendo ou não, admitindo ou não, a gente é de alguém. E pra mim, quer saber? Não há nada melhor que pertencer. Pertencer a alguém, a algum lugar, ao coração de alguém. A gente fala essas paradas aê de “mando em mim”, “chego a hora que quero”, “pago minhas contas”, mas isso é tudo conversinha… Eufemismo – só pra falar bonito.

Bom mesmo é saber que tudo aquilo que tem dono também se perde. Você não disse que se perdeu no caminho? Pode crer, alguém vai te achar e vai dizer: “De quem é?” E vai por mim, a vida vai te mostrar que a pior sensação é ouvir: “Né de ninguém não…”

Mas numa coisa eu tenho que concordar com você…

A vida é loka, mano! A vida é loka!