Reflexões, Versos & Prosa

Muito além de mim

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Eu tinha 20 e poucos anos e já era analista de sistemas de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. E se você achou essa frase muito prepotente é porque você não me conheceu à época – eu era simplesmente um nojo (rs)! Mas como o bife à milanesa que minha mãe martelava, apanhei o suficiente da vida até deixar de ser esnobe. Esquece essa parte! Acontece que foi nessa época que conheci um cara que viria a ser um dos meus melhores amigos. Bem, na época, eu estava com medo de perder minha posição de destaque pra ele, logo, ele era claramente uma ameaça!

Na intenção sinistra de conhecer meu oponente, comecei a almoçar com ele, meu xará, Rogério Tadeu. O cara era simplesmente um gênio dotado de memória fotográfica, inteligência absurda e uma simplicidade invejável, da pomba dizer “Puxa!”. E foi no nosso 3º almoço que juntei coragem pra questioná-lo quanto a um costume seu muito peculiar. O cara comia primeiro o arroz, depois o feijão, depois a carne e, finalmente, a salada.

Então, no auge da minha arrogância, mandei essa: “Mano, na boa, por que você fica com essa patifaria de comer uma ‘categoria’ de comida por vez?” E foi sem olhar pra mim, que ele terminou de mastigar, levantou a cabeça, ajeitou os óculos com o indicador e calmamente me respondeu:

“É que tem coisas sobre mim que você não sabe. Quando eu era criança, alguns dias tinha só arroz. Outros dias, só carne. Às vezes, tinha até feijão. Então, eu acostumei.” – Obviamente, aquela foi a primeira martelada da vida na formação do meu caráter. E sim, dói até hoje! rs.

A gente fala muito sobre empatia, sobre se colocar no lugar do outro e tal. Sim, isso é imprescindível, mas talvez, e só talvez, nosso problema não seja apenas deixar de se colocar no lugar do outro, mas também precipitar-se em fazer julgamentos. Entenda: aquilo que eu faço, do jeito que faço e porque faço assim faz parte de algo muito maior do que aquilo que você vê de mim. Eu trago marcas, traumas e dores que explicam meu jeito de ser. Então, se algo em mim parece estranho e até incomoda, acredite, eu tô resolvendo, uma porção de cada vez, um dia após o outro.

Como disse meu amigo: “É que tem coisas sobre mim que você não sabe.”

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Publicado por Roger da Escola

L. Rogério (o “Roger da Escola”) é pai da Bia, fundador da Escola de Adoração, formado em Sistemas, Marketing, Comunicação e, em breve, Teologia. Fã do Cheescake Factory e de The Big Bang Theory.

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