Pastoral, Reflexões

Servindo ao Deus da obra

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Durante esses últimos 10 anos de Escola de Adoração, praticamente em todas as edições, vez ou outra, fiquei depois da aula ouvindo, aconselhando e orando por alunos que foram feridos em suas denominações. É triste ter que tocar no assunto, pois num primeiro momento, pareço ser conivente com algumas situações até mesmo de rebeldia e insubmissão às lideranças apenas por receber essas ovelhas feridas, mas além de convicção do meu chamado, tenho paz no coração quanto a isso, pois o Senhor tem me dado não apenas discernimento para tratar cada coração ferido, como também autoridade para corrigir os rebeldes.

Porém, como igreja, precisamos ser humildes o suficiente para reconhecer: muitos líderes sobrecarregam suas equipes ministeriais de atividades que pouco têm a ver com o Reino de Deus. Enquanto o órfão e a viúva padecem, templos são construídos e reformados em campanhas que incluem sorteios de TVs e celulares num verdadeiro desvio de recursos para egos inflados e projetos que o Senhor simplesmente não exigiu ou inspirou. Mas esse quadro não reflete o principal problema das pessoas que me procuram. O dilema está quando os propósitos são nobres, mas as pessoas são mesquinhas e centralizadoras. A propósito, já percebeu que no ministério de missões ou assistência social não há brigas? Ou você já ouviu alguém brigando porque fulano está evangelizando mais que ele?

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O que era para ser uma festividade de jovens, acaba tornando-se um ringue de disputa de egos. O congresso que reuniria toda a família num momento de adoração, atrasa, vira um show de apresentações de “mais do mesmo”, a cantora popstar convidada toma quase todo o tempo da Palavra e o preletor tem que ser rápido porque “logo após a Palavra, ainda ouviremos a irmã Falsiane louvando”. Acredite, por mais hilária que seja essa cena, eu sei do que estou falando.

Assim, refletimos: como identificar o que realmente é a obra de Deus? Porque podemos estar servindo de coração na obra de Deus, mas ignorando o Deus da obra. Afinal, não foi à toa que Isaías nos alertou: “Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens”. Trata-se de um culto recheado de louvores que saem apenas da boca pra fora, nunca do coração. Se o Pai procura verdadeiros adoradores, esses são os falsos. O tema certamente requer um seminário todo para aprendermos juntos o que a Palavra do Senhor tem a ensinar, mas em respeito àqueles que servem ao Senhor com um coração puro e sincero, tentarei resumir para que haja paz no seu coração.

Meu conselho: ouça o coração de Neemias!

O livro de Neemias está repleto de lições de liderança, motivação, estratégia, amizade, respeito… puxa… não dá pra listar tudo. Mas quero deixar apenas 3 conselhos baseados nessa história fantástica.

  1. Seja apaixonado por pessoas – Em todos os meus seminários, este é o primeiro conselho que dou aos que desejam trabalhar para o Reino de Deus. Se você não ama pessoas, não pode se engajar na obra do Senhor. Quando Neemias soube (porque se interessou em saber) da situação de seus irmãos, passou DIAS chorando. O sucesso de Neemias se dá não apenas porque Deus estava com ele, mas também porque ele contava com a simpatia das pessoas, inclusive do rei. Alguém disse que duas coisas não podemos fazer sozinhos: casar e servir ao Senhor. Neemias honrava tanto as pessoas, que fez questão de dedicar perícopes inteiras só para lembrar quem fez o quê.
  2. Seja cheio de Deus – Neemias não apenas chorou, mas orou e jejuou. Sabe por que temos tantas divisões e problemas em nossas atividades ministeriais? Porque não buscamos a Deus com intensidade. Porque jejum e oração “é coisa do passado… do Círculo de Oração”. Sabe por que você tem dúvidas se o que está fazendo é obra de Deus ou de homens? Porque você ainda não dedicou tempo e lágrimas em oração. “Roger, mas é difícil ouvir a voz de Deus”. Conselho de Paulo? “Que a paz de Cristo seja o juiz em seus corações”. O contexto de Colossenses 3.15 trata de perdão, mas creio firmemente que a paz de Deus é a resposta a um coração humilde e sincero. Porém, lembre-se do versículo anterior: “Acima de tudo, porém, revistam-se do amor, que é o elo perfeito.” – o que passar disso, é rebeldia!
  3. Não esqueça: você está numa batalha espiritual – Infelizmente, em nossas atividades ministeriais, nós continuamos a brigar com pessoas, mesmo com toda a ênfase dada nas pregações ao texto paulino, que não poderia ser mais claro: “…pois a nossa luta não é contra pessoas, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais”. Povo de Deus, ministros Seus, voluntários da obra do Senhor, revistam-se da armadura de Deus! A estratégia de Neemias é perfeita: pá numa mão, espada na outra. Enquanto você trabalha para o Senhor, guerreie no mundo espiritual. Ore, clame, jejue pela obra, porque aqueles que entendem essa estratégia, param de cantar “Sabor de Mel” para os seus inimigos e fazem como Neemias, oram ao Senhor: “Ouve-nos, ó Deus, pois estamos sendo desprezados” – ou você nunca leu Hebreus? Pois conhecemos aquele que disse: “A mim pertence a vingança; eu retribuirei”; e outra vez: “O Senhor julgará o seu povo”. (Hb. 10.30)

Sei que estes conselhos podem não trazer alívio imediato ao seu coração num primeiro momento, mas lembre-se, a obra do Senhor sempre terá seus “Sambalate e Tobias”, e se não os tiver, não é obra, é apenas uma quimera qualquer para satisfazer o ego de alguém. Se este for o caso, ore ao Senhor, espere Sua resposta e não seja conivente com isso. Que o Senhor te abençoe e te dê o discernimento.

No amor de Cristo,

Roger

Publicado por Roger da Escola

L. Rogério (o “Roger da Escola”) é pai da Bia, fundador da Escola de Adoração, formado em Sistemas, Marketing, Comunicação, Teologia e faz MBA em Mktg pela USP. Fã do Cheescake Factory e de The Big Bang Theory.

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