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Pastoral, Reflexões

Deus está no controle

Poucas coisas me incomodam tanto quanto o humanismo. A ideia de que o homem é o centro do mundo disfarçada de valorização do ser humano é mais uma desculpa esfarrapada para justificar o distanciamento de Deus e de Sua lei. E desde que Sabor de Mel jogou todos os holofotes sobre o (dito) vencedor no palco e legitimou a vingança, fiz do combate ao antropocentrismo uma bandeira do meu ministério.
 
Contudo, enquanto o humanismo esconde-se apenas nas aljavas dos gurus do empreendedorismo de nosso tempo, que lançam suas flechas motivacionais diárias com pérolas do tipo: “A diferença entre um dia bom e um dia ruim é como você encara o dia”, por mim, tudo bem! Se as pessoas se permitem ser ofendidas em sua inteligência por pura preguiça de pensar e ainda ficam admiradas com tanta “sabedoria”, quem somos nós para lhes contrariar?
 
Porém, quando o tal humanismo começa a invadir o terreno da fé, aí, nós, os que fomos chamados à apologética, ouvimos o toque do shofar nos convocando à batalha! Talvez, nem todos tenham essa audição apurada, dada a sutileza do antropocentrismo, mas cabe a nós dizer o óbvio, afinal, nós sempre tropeçamos no óbvio.
 
Ei, quem diz a você que é você quem determina se o seu dia será bom está te iludindo com o maior trauma desta geração: não ter o controle sobre tudo. O humanismo, ao coroar o homem e sua inteligência, quer nos dar essa falsa sensação de que podemos controlar tudo o que nos acontece. É o discurso da serpente maligna fazendo eco: “Vocês serão como Deus”.
 
Então, lamento lhe informar, mas quem determina como será o seu dia é o Eterno. Quem determina o quão rico ou pobre você será é o Eterno. Quem determina até mesmo quanto tempo você terá para alcançar ou não os seus objetivos é o Eterno. O humanismo dirá que aceitar essa condição é vitimismo, é preguiça, é coisa de gente trouxa. Já a teologia chamará isso de submissão ao eterno e SOBERANO Deus.
 
Trabalhe, se empenhe, seja o melhor em sua área de atuação para melhorar a vida daqueles que te cercam, só não caia na ilusão de acreditar que você está respirando porque tem um bom pulmão.
 
No amor do Pai,
 
Roger da Escola
 
“Ouçam agora, vocês que dizem: ‘Hoje ou amanhã iremos para esta ou aquela cidade, passaremos um ano ali, faremos negócios e ganharemos dinheiro’. Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa. Ao invés disso, deveriam dizer: ‘Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo’. Agora, porém, vocês se vangloriam das suas pretensões. Toda vanglória como essa é maligna.”
 
Tiago 4:13-16
Adoração, Reflexões

Encha este lugar

Talvez você já tenha se deparado com algum post meu a respeito do Movimento Worship. Esse artigo é um esforço na tentativa de reunir os fragmentos do que tenho falado como um alerta à igreja quanto à mistificação do lugar da adoração, baseado no questionamento da samaritana ao Mestre, de onde seria este lugar, ao que o Senhor Jesus esclarece não se tratar de lugar físico, mas de relacionamento com o Eterno. Além disso, busco reafirmar o conceito teológico da habitação do Espírito Santo como morada e selo de nossa “aquisição” pelo Pai.

Para tal, faz-se necessário o esclarecimento de 2 pontos básicos:

  1. Reconheço, naturalmente, que o clamor por uma visitação do Espírito Santo foi exaustivamente cantado por minha geração quando entoávamos “Vem, Espírito de Deus…” ou “Ó, vem, Jesus, e toma o Teu lugar”. O que acontece neste tempo é nada mais nada menos que a continuidade da apropriação de uma licença poética – e tudo bem quanto a isso.
  2. Não há, portanto, qualquer condenação ou crítica às músicas que fazem o mesmo como “A casa é sua” ou “Quando Ele vem” – canções que naturalmente expressam o desejo de ter mais de Deus, além de sabermos que “a casa” somos nós.

O alvo de meu alerta é a mistificação, ainda que não intencional, do lugar da adoração à medida que temos feito um show de luzes e fumaça quando “o Espírito vem”. O ápice de nossos refrões tem sido acompanhado não apenas da explosão dos pratos de ataque da bateria, mas também de luz plena e muita fumaça. Oras, não há qualquer problema ou crítica quanto à forma de acentuarmos nossas apresentações com efeitos (minha igreja é exatamente assim). Mas há que ter um cuidado quanto ao esclarecimento teológico da morada do Espírito em nós.

Talvez, dentro do seu universo de conhecimento, costumes ou experiências, o conceito teológico de que o Espírito Santo habita em você seja muito bem resolvido. Mas não podemos nos fechar numa bolha e esquecer daqueles que nos visitam ou estão iniciando sua caminhada na fé. A esses, é quase que natural entender que esse show de luzes, efeitos e o pedido honesto de que Ele venha seja, de fato, adoração. Como você deve saber, isso não é, é apenas música ou louvor ao nosso Deus. Faz-se necessário, portanto, um empenho de nossa parte no ensino teológico da diferenciação dos conceitos de visitação e habitação.

Como fazer isso dentro dos padrões de igreja urbana, em que temos apenas cerca de 2 horas de culto ao nosso Deus? Esse é um questionamento que nos propõe reflexão e contribuição. Meu desejo e expectativa é que cada vez mais nos empenhemos em construir uma adoração fundamentada na Palavra e com ensino teológico sistemático, a fim de que a maquiagem (luzes, projeção, fumaça) seja apenas um adicional representativo da beleza artística que carregamos em nosso dna artístico.

Finalmente, quando defendemos uma tese, é natural que cada ser humano, dada a multiplicidade de universos em que cada um está inserido, tenha sua interpretação pessoal daquilo que estamos nos propondo a defender. Por isso, me coloco à disposição para o diálogo, para o esclarecimento, para a troca de experiências com muita leveza, naturalidade e sem qualquer estresse, afinal, tudo o que fazemos é para que, através de nossos dons e talentos, a igreja do Senhor seja edificada pela multiforme graça de Deus.

No amor do Pai,

Roger

Graça, Reflexões

Eu sou pior do que você imagina

Recentemente, recebi um daqueles eventuais ataques que trazem em si aqueles verbos tão cruéis: desmoralizar, ofender e machucar. Oras, não é de hoje que defendo com veemência aquilo que creio e professo. Já criei, naturalmente, uma casca grossa contra esses ataques, porém, parece-me que uma coisa não ficou clara para esses: eu sou humano.

Talvez essa seja a máxima do pleonasmo, do chover no molhado, do “subir pra cima” da vida, mas o que é tão óbvio para você, talvez tenha que ser explicado, desenhado e modelado com massinha para alguns. Eis a pergunta que me incomoda: o que te faz pensar que me chamar de pecador é ofensa? Você acha realmente que, quando diz que eu sou uma pessoa que julga os outros, isso me deixa irado ou com vontade de esfregar a sua cara no asfalto? Permita-me desenhar.

O fato de eu defender uma fé que exige santidade e amor, não significa em absoluto que eu seja padrão moral ou referencial de um ou de outro. E mesmo que, numa utopia ridícula, eu o fosse, eu não seria esta referência, porque o Eterno a é. Ele é e sempre será o nosso modelo de perfeição e meta de vida. Ademais, se eu fosse esperar alcançar tal padrão para exercer vida ministerial, eu morreria frustrado por não ter vivido o suficiente.

Assim, quando você, numa tentativa frustrada de justificar suas culpas, me acusa de isso ou aquilo, saiba que você não sabe, da reza, um terço. Eu sou muito, mas muito pior do que aquilo que você imagina. Faço coisas que me arrependo de ter nascido. Duvido da minha fé tantas vezes num ano, que eu deveria era abandonar a carreira. Penso coisas, às vezes, que teria vergonha de sequer sugerir ou mencionar. Por isso, quando você me acusa dessas bobagens mimizentas, eu fico é feliz! Quem me dera essas fossem as minhas únicas culpas!

As pessoas que têm um discurso muito bonito de santidade, que expõem suas benesses na rede ou ainda divulgam sua vida piedosa em busca de likes (Thank, Insta!), escondem, geralmente, inveja, orgulho, medo e frustração. Por outro lado, quem sabe bem o quão sujo e deplorável seria, não fosse pela graça de Deus, não tem qualquer receio ou rugas de preocupação por serem acusados de nada. Na verdade, eles perguntam assim: “Quem fará alguma acusação contra os escolhidos de Deus?” – refletem, reconhecem quem são e, então, gritam aos quatro ventos: “É Deus quem os justifica.” (Rm. 8.33)

Portanto, quando for me acusar, capricha! Porque eu sou muito pior do que você imagina.

No amor do Pai,

Roger