Incoerência, Reflexões

Uma igreja isolada

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Durante muito tempo, nós, os cristãos, fomos ensinados a rejeitar a cultura pop. O diabo era cineasta, não podíamos ir ao cinema. O diabo inventara o biquini, não podíamos ir à praia. O diabo era dramaturgo, não podíamos ir ao teatro. E claro, a mais contagiosa de todas, o diabo era o pai do rock, não podíamos ouvir música do mundo. Oras, mesmo a Bíblia dizendo que o diabo sempre foi usurpador e que sua única invenção era a mentira, atribuímos a ele tudo aquilo que mostrava um estilo de vida diferente do nosso. Pense, gafanhoto! Não ter acesso a imagens que mostrem um estilo de vida diferente do meu jamais fará com que eu seja menos pecador. Não é o que vemos que nos corrompe, é a nossa própria natureza que insiste em reinar nesse coração mal.

Mas o maior prejuízo desse distanciamento de tudo que não tinha o tal do selo gospel não é apenas o bronzeado com marca de camiseta ou ficar horas rodando o LP da Xuxa ao contrário para ouvir o diabo falar – ele pediu, inclusive, uma audiência com a imprensa para informar que a rainha não era sua porta-voz oficial. Sim, isso foi logo após a contratação da Maria da Graça pela Record. O maior prejuízo ao isolamento social que temos feito há séculos talvez seja a falta de produção intelectual que dialogue com essa sociedade, até por um motivo lógico: como dialogar com uma cultura da qual estamos em quarentena há séculos? Não foi essa a crise de João Batista? Enquanto ele veio não comendo o que o mundo comia, não bebendo o que o mundo bebia, não morando onde o mundo morava, Jesus veio, e não apenas encarnou, mas mergulhou entre a sociedade de sua época para anunciar-lhes a salvação.

Gritam os legalistas: “MAS ELE NÃO PECOU!” Ok, Madre Teresa! Ninguém precisa cheirar uma carreira pra falar de Jesus pro viciado! Só que você nunca vai brotar na goma dele se achar que eu acabei de misturar semeadura com chiclete nessa sentença. Entendeu? Não!? Talvez porque você esteja tão mergulhado num mundo que é só nosso e, por isso, espanta os mundanos ao invés de atraí-los a Jesus.

É tempo de sair dessa quarentena religiosa que vivemos e dialogar com a cultura pop sem perder a nossa essência. Mantenha sua mente higienizada e viva!

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Publicado por Roger da Escola

L. Rogério (o “Roger da Escola”) é pai da Bia, fundador da Escola de Adoração, formado em Sistemas, Marketing, Comunicação e, em breve, Teologia. Fã do Cheescake Factory e de The Big Bang Theory.

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