Pastoral, Reflexões

O divórcio do Eterno

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Há dias, o Espírito Santo tem inspirado meu coração a falar novamente sobre Jonas. A princípio, questionei: “O que há para falar sobre o profeta ranzinza que já não tenha sido dito?”Eis o que Ele me respondeu…

Todo mundo sabe que Jonas fez birra com o Eterno. Numa atitude tão egoísta quanto ingênua, o profeta foge de Deus (como se isso fosse possível). Jonas era o cara que já não dependia de Deus nas ofertas, pagou a sua própria passagem. Mandava no próprio nariz. Ia pra onde queria.

Já no mar, em meio à tempestade que Deus mandava, todos já haviam entendido o óbvio, a briga dos dois ficava cada vez mais evidente. E não tinha jeito, ou sentava pra conversar e se acertar, ou o barco ia partir-se ao meio. Como Jonas não tomava a iniciativa e ainda usava aquele vitimismo barato para justificar a bagunça ao seu redor, os homens (mesmo temendo) fizeram o que tinha que ser feito: “Vá se acertar com seu Deus!”– Tchibum!

Na barriga do peixe, talvez num misto de temor e arrependimento, Jonas clama por socorro e é jogado no lugar em que deveria estar. Agora, sem muitas opções, Jonas cumpre seu chamado e [gostando ou não] faz exatamente como o Eterno havia ordenado. Mas basta ver as pessoas se arrependendo, e Jonas se aborrece novamente com Deus. Parece que quando estamos na desobediência, nos incomodam aqueles que se rendem prontamente ao comando do Eterno.

Convenhamos, não há muito o que se admirar num cara que se vitimiza ao ponto de pedir a morte porque “tá quente demais” ou porque “tá com dó da plantinha”. É de gente assim que a gente tem vontade de lacrar: “Se queria morrer, por que pediu ajuda na barriga do peixe?” Mas aí a gente lembra que ele é gente como a gente, né? (Sim, a gente é repetitivo).

Não precisa ser psicólogo pra saber que Jonas está cheio de traumas e situações mal resolvidas com o Eterno. Mas sabe o que há de admirável nesse cara ranzinza, rabugento? Mesmo com todas as suas decepções com Deus, Jonas não se separa do Eterno. Briga, discute, reclama, até foge… mas no final, fica. Aliás, essa história nem tem final feliz. O livro acaba assim, apático e com os dois dizendo: “Eu tenho razão!”

Conselho de alguém que pode falar com propriedade: não se esconda de Deus, Ele te acha até no fundo do mar, diz o salmista. Não esconda de Deus suas decepções com Ele, porque o mesmo salmo diz que antes da palavra chegar à sua boca, Ele já sabia o que seria dito. E não pense que Ele vai se impressionar com seu desabafo, Ele sabe que você precisa falar.

Enfim, fale, desabafe, chore, grite, questione até… só não se divorcie de Deus, afinal, Ele mesmo desabafou: “Eu odeio o divórcio!” (Ml. 2.16)

No amor do Pai,

Roger

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