Pastoral, Reflexões

Deus te quer mal

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Eis uma cena comum, em meio a um diálogo rotineiro na padaria, no banco ou em outra fila qualquer, você cita um versículo ou fala algo de Deus, e a pergunta logo vem: “De que igreja você é?”. E então, não importa sua resposta, a réplica é geralmente a mesma: “Ah é… você precisa ir à uma igreja em que se sinta bem”. E convenhamos, a gente também acha isso. E isso não é bom!

Leandro Karnal, professor e ateu, por sinal, diz que percebe o narcisismo das pessoas quando estas lhe dizem: “Você é genial, cara, diz tudo o que eu penso”. Ele comenta que isso não é um elogio a ele, mas à própria pessoa em si, pois se esta o elogia por dizer tudo o que ela mesma pensa, então, esta, na verdade, elogia a si mesmo.

O Senhor me chamou para o ministério do ensino. Por isso, é mais do que natural que as mensagens que pregava tivessem um tom exortativo. Assim, não foram poucas as vezes em que ouvia lá no fundo um “Aleluia!” típico de “Fala mesmo, Jesus!”. Confesso que sempre me incomodei com isso. Acho que pra mim, isso soava exatamente como o narcisismo citado por Karnal. Na verdade, percebo mesmo é muito ódio e vingança nesse tipo de manifestação.

Mas o “sentir-se bem” vai além de simplesmente estar num lugar onde ouve-se sempre uma “massagem”. Podemos facilmente ignorar o verdadeiro propósito do evangelho quando fazemos dos louvores a nossa Caixinha de Promessas. Fazemos a nossa playlist com tudo aquilo que nos faz sentir-se bem, alegres, esperançosos e vitoriosos, o que não é de todo ruim, mas é como ter uma alimentação baseada apenas nas sobremesas deliciosas, e você precisa não apenas de bem-estar, mas de saúde.

Meu professor de EBD, Francisco Júnior, sempre dizia que “O evangelho é, antes de boas novas, péssimas notícias”.

Um evangelho que diz tudo aquilo que você pensa talvez seja um evangelho adulterado. Uma mensagem que diz tudo aquilo que você pensa talvez tenha um propósito de te manter por perto, de garantir o seu dízimo ou até mesmo de (na melhor das boas intenções) te ver feliz. O problema é que o inferno está cheio de boas intenções.

Eis uma mensagem de Deus para você: você estava condenado ao inferno por conta de seus pecados. Sua recompensa por tudo o que havia feito era a morte. Suas boas ações e seu coração cheio de amor não significavam nada além de um memorial para o Eterno. Assim, Jesus derramou Seu sangue por você a fim de te santificar por meio deste sacrifício, esperando absolutamente nada em troca, mas aconselhando: “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor” (Fp. 2.12)

Em nome do Eterno, não se sinta bem ao estar numa igreja onde você ouve tudo aquilo que pensa, antes, anseie ser confrontado ali e sair moído, pensativo, constrangido… arrependido. Mais que o evangelho que conforta, você precisa do evangelho que confronta.

No amor do Pai,

Roger

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