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Adoração, Reflexões

E eu… sirvo pra quê?

Se há algo que literalmente grita em nossa fé é que a salvação é pela graça. Sim, é isso que nos diferencia de todas as outras religiões do mundo. Nada do que façamos pode fazer com que Deus nos ame mais, e nada do que fizermos fará com que Ele nos ame menos. Evidente que muitos usam desse princípio para pecar, mas a Bíblia, que é perfeita e mais que abrangente, já previu isso e fechou a questão: “Que diremos então? Continuaremos pecando para que a graça aumente? De maneira nenhuma! Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele?”

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Mesmo assim, como somos peritos em burlar leis e nos enganar com as coisas de Deus, acreditamos que tudo o que o Eterno espera de nós é um coração sincero. Mas como diria meu eterno professor de Escola Dominical, Francisco Júnior, nós podemos estar sinceramente errados. Parece até nobre e coerente dizer que eu não preciso ir à uma igreja para ser salvo. Aliás, quem pensa assim cerca-se de todos os argumentos humanamente possíveis para justificar seus posicionamentos: “Ah, se for pra ser que nem Fulano, eu prefiro nem ir”, “Amigão, esses pastores de hoje só querem meu dízimo”, “Eu… ir pra igreja onde só tem gente hipócrita!? Prefiro ajudar os pobres”. Sinceramente? Eu não discuto mais com gente assim, porque eu sei que no fundo, no fundo, eles sabem que estão a caminho do inferno. E o livro de Hebreus também já bateu o martelo: “Não deixemos de reunir-nos como igreja”

Porém, entre os que se entregam a Deus de coração e os que preferem contentar-se com suas justificativas, está um grupo igualmente iludido: os que vão à igreja bater o ponto! Sim, falamos tão mal da religiosidade católica e fazemos igual ou pior. Vamos à igreja apenas no domingo, dedicamos duas horinhas de nossa semana cantando e ouvindo a Palavra, damos uma oferta generosa e saímos do culto com a nítida sensação de dever cumprido. Veja, eu entendo que cantar em um grupo de louvor em sua igreja faz parte da obra de Deus, mas entenda que a Bíblia diz que somos “embaixadores de Cristo”3, e não me parece razoável que um embaixador tenha sido convocado apenas para fazer o que qualquer ave faz todos os dias de graça, “não têm vocês muito mais valor do que elas?”4, disse Jesus.

A verdade é que existem dois pilares da fé cristã que estão atrelados à salvação: adoração e serviço. Nenhum deles é obrigatório, nenhum deles nos salva, mas todos os salvos expressam sua gratidão de forma genuína através desses dois pilares! Quando o Diabo veio tentar Jesus e tocou a tecla da adoração, Jesus fez questão de lhe apresentar estes dois pilares juntos: “Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.” 5

Infelizmente, muitos cristãos ainda acreditam que apenas alguns poucos “escolhidos e iluminados” receberam dons e têm obrigação de exercer um ministério. Acreditam que ministério é exclusivamente cantar e pregar. Eles não poderiam estar mais errados. A Bíblia diz: “Cada um exerça o dom que recebeu para servir aos outros, administrando fielmente a graça de Deus em suas múltiplas formas.6” A Bíblia não poderia ter sido mais explícita. TODOS receberam um dom por causa da MULTIFORME GRAÇA de Deus! E se você não está, literalmente, suando a camisa (sim, ministério também é feito de suor e lágrimas), pode haver algo de muito errado com a sua fé, e Jesus pode, hoje mesmo, ver as suas folhas e procurar os frutos debaixo delas. Cuidado, isso é muito sério!

Por isso, com muito temor diante do Senhor, deixo a você a exortação de Paulo a Arquipo, porém, peço que você substitua o nome de Arquipo pelo seu:

Digam a ________________,
“cuide em cumprir o ministério que você recebeu no Senhor” 

No temor do Pai,

Roger


Referências: (Rm 6.1-2); (Hb. 10.25); (2 Cor. 5.20); (Mateus 6.26); (Mateus 4.10);(1 Pedro 4.10) e (Colossenses 4.17)

Adoração, Reflexões

Adorando ao deus desconhecido

Um dos textos mais fascinantes da Bíblia fala-nos da visita de Paulo à Atenas, onde o apóstolo discutiu com alguns filósofos a respeito das Boas Novas e da ressurreição de Cristo. A passagem é uma pérola para todos os que amam filosofia e religião, já que Paulo esbanjou graciosamente todo seu conhecimento histórico e filosófico, dando-lhes uma aula tão cativante que, ao final, alguns deles disseram: “Ei, outra hora queremos te ouvir de novo, hein?” (At. 17.32)

Contudo o propósito dessa reflexão não é filosófico, tampouco de história do cristianismo. Quero ser mais contemporâneo. Quero pensar aquilo que vejo e não compreendo na adoração congregacional. Vamos lá!

maxresdefault“Seo deo sei deivae sac[rum] - Consagrado a um deus ou deuses”

Embora Atenas fosse uma cidade repleta de ídolos, era o berço da filosofia ocidental. Terreno ideal para a discussão de ideias e propostas para uma fé mais coerente, espiritual e, por que não, mais intelectual? Mas quem estaria à altura para discutir com os filósofos de sua época? Evidentemente, um cara tão dedicado à intelectualidade e, ao mesmo tempo, com experiências tão espirituais como Paulo de Tarso. Durante sua visita, Paulo percebe que os caras tinham tantos ídolos que, na falta de mais um, inventaram um com o nome de “Deus Desconhecido”. O apóstolo faz, então, do limão uma deliciosa limonada e usa a situação de forma brilhante: “…andando pela cidade, observei cuidadosamente seus objetos de culto e encontrei até um altar com esta inscrição: AO DEUS DESCONHECIDO. Ora, o que vocês adoram, apesar de não conhecerem, eu lhes anuncio.” (At. 17.23)

Foi refletindo exatamente nesse fragmento da história que me questionei: como podem alguns cristãos que sequer frequentam um culto de ensinamento, ou quem dirá uma Escola Bíblica Dominical, intitularem-se “adoradores”? Vejo nestas pessoas todos os traços dos tais filósofos com os quais Paulo debatia. Dos epicureus, esses adoradores contemporâneos herdaram a busca através dos sentidos do máximo possível de satisfação, afastando toda e qualquer forma de sofrimento, do tipo: “Estudar Bíblia para quê, se eu posso sentir o “mover” durante a adoração e me ver livre de todos os males?” Já dos estóicos, os adoradores do culto de domingo herdaram o doce desejo de aceitar a “vontade” de Deus: “Ah… se Deus quisesse que eu fosse estudioso da Palavra teria me feito pastor, e não adorador…”

Quais os desdobramentos dessa postura? Os que amam a adoração e rejeitam o estudo dedicado da Palavra mergulham em modismos tão superficiais que me fazem dizer como Paulo disse aos Gálatas: “Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho” (Gl. 1.6-7). Refiro-me a modismos tão grotescos que recuso-me a citá-los, mesmo porque, suas práticas são tentativas ridículas de, a exemplo de Moisés, manter reluzente o brilho do véu quando esse já se foi há muito tempo.

É verdade que muitos dos fãs dos fabricantes da “adoração extravaSante” dirão a meu respeito como disseram sobre Paulo, os epicureus e os estóicos: “O que está tentando dizer esse tagarela? Parece que ele está anunciando deuses estrangeiros” (At. 17.18). É, parece, mas não é.

Ei, será que vocês não percebem que tal como os atenienses vocês estão apenas em busca de novidades, quando, na verdade, a verdadeira adoração foi ensinada e pautada por Jesus em dois simples pilares: espírito e verdade? O que passar disso, é mentira extravagante.

Minha oração é que, na busca de uma adoração extra-bíblica, os garotos dessa geração não se percam. Que eles entendam que o ato profético mais contundente foi o de Jonas – e este, nos basta!

@rogerdaescola