Adoração, Reflexões

Encha este lugar

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Talvez você já tenha se deparado com algum post meu a respeito do Movimento Worship. Esse artigo é um esforço na tentativa de reunir os fragmentos do que tenho falado como um alerta à igreja quanto à mistificação do lugar da adoração, baseado no questionamento da samaritana ao Mestre, de onde seria este lugar, ao que o Senhor Jesus esclarece não se tratar de lugar físico, mas de relacionamento com o Eterno. Além disso, busco reafirmar o conceito teológico da habitação do Espírito Santo como morada e selo de nossa “aquisição” pelo Pai.

Para tal, faz-se necessário o esclarecimento de 2 pontos básicos:

  1. Reconheço, naturalmente, que o clamor por uma visitação do Espírito Santo foi exaustivamente cantado por minha geração quando entoávamos “Vem, Espírito de Deus…” ou “Ó, vem, Jesus, e toma o Teu lugar”. O que acontece neste tempo é nada mais nada menos que a continuidade da apropriação de uma licença poética – e tudo bem quanto a isso.
  2. Não há, portanto, qualquer condenação ou crítica às músicas que fazem o mesmo como “A casa é sua” ou “Quando Ele vem” – canções que naturalmente expressam o desejo de ter mais de Deus, além de sabermos que “a casa” somos nós.

O alvo de meu alerta é a mistificação, ainda que não intencional, do lugar da adoração à medida que temos feito um show de luzes e fumaça quando “o Espírito vem”. O ápice de nossos refrões tem sido acompanhado não apenas da explosão dos pratos de ataque da bateria, mas também de luz plena e muita fumaça. Oras, não há qualquer problema ou crítica quanto à forma de acentuarmos nossas apresentações com efeitos (minha igreja é exatamente assim). Mas há que ter um cuidado quanto ao esclarecimento teológico da morada do Espírito em nós.

Talvez, dentro do seu universo de conhecimento, costumes ou experiências, o conceito teológico de que o Espírito Santo habita em você seja muito bem resolvido. Mas não podemos nos fechar numa bolha e esquecer daqueles que nos visitam ou estão iniciando sua caminhada na fé. A esses, é quase que natural entender que esse show de luzes, efeitos e o pedido honesto de que Ele venha seja, de fato, adoração. Como você deve saber, isso não é, é apenas música ou louvor ao nosso Deus. Faz-se necessário, portanto, um empenho de nossa parte no ensino teológico da diferenciação dos conceitos de visitação e habitação.

Como fazer isso dentro dos padrões de igreja urbana, em que temos apenas cerca de 2 horas de culto ao nosso Deus? Esse é um questionamento que nos propõe reflexão e contribuição. Meu desejo e expectativa é que cada vez mais nos empenhemos em construir uma adoração fundamentada na Palavra e com ensino teológico sistemático, a fim de que a maquiagem (luzes, projeção, fumaça) seja apenas um adicional representativo da beleza artística que carregamos em nosso dna artístico.

Finalmente, quando defendemos uma tese, é natural que cada ser humano, dada a multiplicidade de universos em que cada um está inserido, tenha sua interpretação pessoal daquilo que estamos nos propondo a defender. Por isso, me coloco à disposição para o diálogo, para o esclarecimento, para a troca de experiências com muita leveza, naturalidade e sem qualquer estresse, afinal, tudo o que fazemos é para que, através de nossos dons e talentos, a igreja do Senhor seja edificada pela multiforme graça de Deus.

No amor do Pai,

Roger

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Publicado por Roger da Escola

L. Rogério (o “Roger da Escola”) é pai da Bia, fundador da Escola de Adoração, formado em Sistemas, Marketing, Comunicação e, em breve, Teologia. Fã do Cheescake Factory e de The Big Bang Theory.

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