Graça, Reflexões

How deep is your love

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…mas agora era um rio que eu não conseguia atravessar, porque a água havia aumentado e era tão profunda que só se podia atravessar a nado; era um rio que não se podia atravessar andando. Ez. 47.5

Embora Calvin Harris esteja bombando no mundo todo com a voz da norueguesa Ina Wroldsen, o Google ainda reverencia (mesmo que discretamente) os famosos Bee Gees e as mais de 400 regravações de seu sucesso dos anos 70. Contudo, as duas canções têm apenas o mesmo título. Quem se declarou à pessoa amada ao som da lendária banda inglesa, certamente não pode contar com a ajuda da versão dançante do DJ. Mesmo assim, é perfeitamente compreensível existirem (inclusive) diversas outras canções mundo afora com o mesmo intrigante questionamento. Afinal, todo mundo ama. De uma forma ou de outra, ama. Contudo, a pergunta é: quão profundo é esse amor? Ina foi ainda mais direta que os Bee Gees: “É como o oceano?”

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Antes de voltar para o Pai, Jesus teve um último e inesquecível encontro com Pedro. O discípulo, talvez ainda envergonhado e com seu espírito inquieto por ter negado o Mestre, vê-se diante da tal pergunta que não quer calar: “Pedro, você me ama?” A riqueza do idioma, neste caso, permitiu uma pergunta muito mais direta do que a retórica questão da profundidade, porque o grego utiliza quatro palavras distintas para amor. Naquela refeição memorável, Jesus começa perguntando se Pedro o amava com o amor ágape, o amor mais profundo, incondicional, que se doa, se entrega. Pedro, porém, ainda exposto por ter negado o Senhor publicamente, é honesto e reconhece: “Senhor, eu te amo [filéo]” Parece-me que Pedro está dizendo: “Amo, Senhor, mas meu amor não é tão profundo quanto o Seu…” – A palavra “filéo” está mais associada ao amor entre amigos.

Caminhei com você por toda essa reflexão apenas para dizer-lhe isto: você só saberá o quanto ama o Senhor quando não puder mais sentir seus pés tocando o chão.

Dizer que somos dependentes de Deus enquanto temos água pelo tornozelo é no mínimo precipitado, você ainda pode ir para onde quiser. Dizer que se vive pela fé enquanto a água está batendo apenas na cintura é falácia, você ainda pode controlar seu corpo. Porém, quando seus pés não sentem mais o chão e o oceano inundou tudo ao seu redor, você pode finalmente parafrasear Paulo: “…agora não sou eu mais quem conduz, mas Cristo que vive em mim”

Jesus não entristeceu-se com a resposta de Pedro, tampouco recriminou-o por sua falta de amor incondicional, pelo contrário, Ele “desceu” – questionou-o usando a mesma palavra que o discípulo havia usado, e disse mais ou menos assim: “Pedro, eu sei que você ainda não me ama tão profundamente, mas faça minha obra, porque quando você era menino você conduzia sua vida. Em breve, você será conduzido…”

Que possamos mergulhar definitivamente neste oceano de graça, certos de que o nosso amor por Ele é profundo ao ponto de Lhe entregarmos o controle total de nossa vida. Entregue-se definitivamente a esse amor!

No ágape de Cristo,

Roger

 

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