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Esperança, Reflexões

Deixa latir

Talvez em sua caminhada você já tenha percebido que quando estamos mais vulneráveis emocionalmente é que sofremos os maiores ataques à nossa honra. Jamais me atrevo a discernir o acaso do espiritual – embora a Bíblia me diga que eu seja capaz de fazê-lo, sinceramente, tenho medo de errar. Mesmo assim, me arrisco a dizer que o inimigo realmente se aproveita desses momentos de fraqueza para nos humilhar.

Davi passava [talvez] por seu momento mais sombrio. A dor da traição de seu próprio filho, Absalão, talvez o impedia de perceber que um homem, chamado Simei, lhe jogava pedras e o amaldiçoava. Um dos guardas de Davi, Abisai, ao ver a cena, tem uma sugestão rápida e simples: “Senhor, posso cortar a cabeça desse cachorro morto?”

Não há mérito algum em silenciar-se diante de calúnia e difamação quando nada se pode fazer, mas quando se tem o queijo e a faca na mão (literalmente, neste caso) é de se admirar. Também não há valor algum em calar-se diante de calúnia quando algo se esconde ou algo se deve. Não era este o caso de Davi. O homem lhe acusava de ter usurpado um reino, que na verdade, havia lhe sido entregue pelo próprio Deus. E mais, mesmo tendo a oportunidade, Davi jamais havia desonrado Saul.

Diante de tamanha afronta, Davi faz o inesperado: “Deixem esse homem em paz! Isso não me admira, até meu filho quer me matar. Quem sabe Deus não olha pra minha aflição e me dá bênção em lugar de maldição?” (2 Sm. 16.11)

Me parece que o rei tem o seguinte raciocínio: Nada acontece sem a permissão divina. Se tudo o que essa pessoa está dizendo sobre mim for verdade, eu terei que pagar de um jeito ou de outro. Agora, se não for, nenhum mal me sucederá.

Embora estivesse cercado por seus valentes, o coração do rei não podia ser protegido. As feridas das pedradas eram nada frente à dor da traição! Ainda assim, mesmo tendo o direito e o poder para fazê-lo, o rei decidiu não revidar.

Diante de calúnia e difamação, não se desespere, não se preocupe e nem tente justificar-se. Conselho deste cara qualquer, tome pra si as palavras de Jesus: “Se testifico acerca de mim mesmo, o meu testemunho não é válido. Há outro que testemunha em meu favor, e sei que o seu testemunho a meu respeito é válido.” (Jo. 5.31,32)

Receba essa palavra em nome do Eterno: o Senhor testificará a seu favor!

No amor do Pai,

Roger

Esperança, Reflexões

O verdadeiro Master Chef

Das pouquíssimas coisas que sei cozinhar, meu melhor prato é um hambúrguer com batata canoa e refri. Eu sei, eu sei, não é exatamente um prato digno de menção, mas a sensação de prepará-lo para alguém e ouvir: “Uau, está sensacional!” é simplesmente maravilhosa. Mas como eu realmente não sou referência alguma na cozinha, perguntei à minha amiga ultra master chef, Julia Bissiato, qual é a sensação de quando alguém ama e elogia uma de suas criações. Eis o que ela me disse:

“Roger, agradar o paladar de alguém me dá uma alegria tão intensa que eu simplesmente não sei lidar com isso. E não importa quantas vezes eu já tenha cozinhado para a pessoa ou de quantas vezes tenha feito aquele prato, é sempre como se fosse a primeira vez! E tem mais, mesmo eu já imaginando que a pessoa vai gostar, eu sempre me surpreendo com a reação e fico sem graça”

Chef Julia Bissiato com o Chef
Henrique Fogaça

A resposta da Ju foi muito mais surpreendente do que eu esperava. Na verdade, minha curiosidade partiu de um questionamento da alma: Como Deus se sente quanto à minha resposta a tudo que Ele tem feito por mim?

Evidente que, mesmo os pratos da Chef Julia sendo divinos, comparar seu sentimento de realização ao do Eterno é, no mínimo, precipitado. Mas se “comparar” é o recurso didático do Mestre, por que não?

A verdade é que a Bíblia me garante que Deus se realiza quando simplesmente olho para o prato que Ele mesmo preparou para mim e digo: “Uau! Ficou lindo!” Mas veja, isso não é tudo! É preciso experimentar. Certa vez, na Escola de Adoração, deram um pacote de bolachas ao Thiago Grulha no meio de sua aula. Ele agradeceu e disse: “Eu aprendi que a melhor maneira de dizer obrigado a alguém por um presente é desfrutar dele” – em seguida, abriu o pacote e comeu algumas ali mesmo.

Acredito piamente que esse é o segredo de realizar o desejo do nosso coração, desfrutar daquilo que Ele faz para nós, ou nas palavras do salmista: “Deleita-te também no Senhor e Ele te concederá o que deseja o teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle e Ele tudo fará.” (Sl. 37.4-5)

É verdade que muitas vezes o tempero que Deus usa em Sua culinária nos parece amargo, estranho. Para dar uma disfarçada, até chamamos o prato de exótico, mas a verdade é que não estamos acostumados ao requinte do Chef e Ele não usa ingredientes ao léu, há um propósito em cada mistura, em cada essência, em cada sabor. Acredite, Ele sabe exatamente o que está preparando.

Entenda, não basta ser grato! Não basta dizer “Hummm!” só para agradar ao verdadeiro Master Chef. Talvez você precise apenas de um pouco mais de paciência até que o seu paladar se adapte à cozinha dEle, e não o contrário. Quando isso acontecer, acredite, com um sorriso no canto da boca você dirá: “Chef, está divino!”

Quer a receita desse prato? Aqui está: Deleita-te, Entrega e Confia. Misture tudo e é só saborear.

No amor do Pai,

Roger

Esperança, Provações, Reflexões

O que não te contaram sobre nós

Se há algo que me incomoda profundamente é pensarem de mim o que não sou. E engana-se quem acha que se trate de um desabafo. Na verdade, tenho medo de pensarem que o dom que Deus me deu de escrever e falar me torne um cara seguro e de fé inabalável. E explico meu medo: se você achar isso de mim, estarei fechando uma porta aberta pelo Eterno para nos unir. Portanto, quero falar de nós. Sim, de nós, os que duvidam e se decepcionam com Deus.

Você já percebeu que há uma avalanche de mensagens triunfalistas, e pouquíssimas de derrota? Pudera! Quem em sã consciência admite fraqueza num universo gospel movido a curtidas e compartilhamentos? Mas o bom de perder algumas coisas vitais na vida é que você não tem mais medo de perder as que valem pouco ou quase nada. Por isso, esse é um texto pra você, que como eu, se vê muitas vezes duvidando até mesmo da existência de Deus!

Eu estava tão angustiado e deprimido, que minha oração naquela madrugada foi: “Senhor, me perdoe! Pode parecer loucura, mas eu acho que estou realmente falando sozinho. Eu não acredito mais em você!” – disse sem rodeios.

Os dias eram sombrios e devastadores. Pela manhã, corri para a casa de um casal de amigos. Eu estava tão fora de mim que olhava para a varanda daquele apartamento com uma sensação estranha, quase suicida. Minha amiga me disse, tempos depois, que tinha certeza que eu iria fazer uma bobagem naquele dia. Oramos, e decidi mudar a oração:

“Senhor, é estranho falar com alguém que eu não acredito mais, contudo, eu vou te dar uma chance de me provar o contrário [como somos ridículos, não é?]. Me mostra que o Senhor é real, e eu terei a minha dúvida sanada.”

Durante 1 ano, busquei ao Senhor de todas as maneiras que aprendi. Do jejum aos círculos de oração, fiz de tudo. Porém, nada! Nenhuma palavra, nenhum sonho, nenhuma revelação, nada! Me afundei na angústia e na depressão ainda mais. Contudo, fiz algo que acredito ter vindo do próprio Deus: eu decidi continuar buscando, mesmo sem sentir. Entendi que minhas emoções estavam completamente fora do eixo, por isso, elas não eram nem um pouco confiáveis.

Quase um ano depois, eu estava no quarto, sozinho, orando. Terminei a oração e cantei o Salmo 18, numa versão do Asaph Borba. Quando terminei, ouvi quase que audivelmente: “Agora, silêncio!”. Assustei, mas tinha convicção do que sentira. Silenciei e me mantive de joelhos. Tentei apurar o que ouvia, pois estava quase certo de que pela primeira vez na vida eu realmente ouviria a voz de Deus, mas… nada!

De repente, senti uma vontade [meio involuntária] de me curvar e pus meu rosto no chão. Então, comecei a sentir medo. Não era exatamente temor, era quase uma vergonha. Comecei a ficar ofegante e, já não me contendo de joelhos, me lancei ao chão. Eu tremia da cabeça aos pés e meu coração estava disparado. Não sabia exatamente o que estava acontecendo e comecei a pedir perdão pelos meus pecados. Me sentia mísero, indigno, sujo. E, de repente, acredite você ou não, eu percebi quando o Senhor Jesus entrou no quarto.

Não sei quanto tempo exatamente isso durou, só sei de uma coisa, essa foi a maior experiência espiritual que eu já tive na vida. Mas antes que você seja tentado a acreditar numa “imagem espiritual” minha, deixa eu te dizer, mesmo depois disso, muitas vezes, eu ainda duvidei do Senhor.

E sabe porque compartilhei algo tão íntimo com você? Para que hoje você soubesse que Jesus não desiste dos Tomés! Ele não diz (como muitos): “Ah, você não tem fé, Deus nunca vai te ajudar desse jeito”. Ele simplesmente volta pra você e diz:

“Eu sei que você tem dificuldade de crer. Por isso, voltei. Por você! Veja! Veja as minhas mãos! Veja o buraco que os cravos fizeram. Não acredita ainda? Então, toca, mas de forma alguma eu vou te perder”

Creia! Mesmo não entendendo, mesmo não sentindo, creia! Ele vai chegar. Acredite, nós somos exatamente iguais. E se Ele me visitou, também vai te visitar.

No amor do Pai,

Roger