Incoerência, Reflexões

Caminhando para o Céu ou fugindo do Inferno?

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"Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, 
de todo o seu entendimento e de todas as suas forças" - Mc. 12.30

Enxergar o copo meio cheio ou meio vazio pode ser apenas uma questão de otimismo. Já as motivações para a fé cristã não podem se dar ao luxo de serem validadas pela opinião popular, pois foram elucidadas pela Palavra de Deus – nossa regra de fé e prática. As superstições e o sentimento de vingança, típicos de uma ala do cristianismo contemporâneo, valem-se das histórias do Antigo Testamento, onde Deus punia severamente aqueles que se opunham às Suas leis. Não tenho a menor competência para explicar o porquê dessas chacinas e condenações de Jeová, apenas imagino que essa era a linguagem entendida pelos povos bárbaros dos tempos bíblicos. No entanto, como nasci da Nova Aliança, me firmo nas palavras de Jesus: “Ouviste o que foi dito… Eu porém vos digo…”.

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Não foram poucas as histórias que ouvi de gente que “mexeu” com Deus e foi punida de forma severa. Gente que abandonou a igreja e se viu em maus lençóis. Pessoas que não deram o dízimo e, naquele mês, bateram o carro. Mulheres que cortaram o cabelo e adoeceram. Certa vez fiquei sabendo de uma irmã que tomou a Ceia em pecado e caiu mortinha no culto. Recentemente fiz um comentário em um blog e recebi uma maldição virtual: a irmã profetizou que meus dedos cairiam. Fato é que essas superstições geralmente vêm acompanhadas de versículos estratégicos como o “Terrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb. 10.31) ou do famoso “Não toqueis os meus ungidos, e aos meus profetas não façais mal.” (I Cr. 16.22), pretextos claros para a vingança de alguns ou de escudos eclesiásticos para todo o tipo de despotismo dos falsos ministros. Diferente de toda essa religiosidade que amedronta e afugenta, Jesus nos propõe outra via quando convida: “Segue-me!”. Como sempre diz meu amigo Alan: “Isto é proposto, não imposto”. 

Aqueles que ouviram e responderam “sim” ao chamado do Mestre seguem caminhando para o Céu, não se importando com as mandingas evangélicas. Seu dízimo é oferta de um coração agradecido, consciente da necessidade de expansão do Reino, afinal, a luz do templo ainda não acende com oração. Os que foram agraciados pelo amor de Jesus também não vão à igreja por medo do “fogo consumidor”, mas pela incontrolável necessidade de abraçar o outro, de celebrar a comunhão, de adorar Àquele que nos amou primeiro.

Que essa visão de um Deus sádico, ansioso pelo primeiro deslize de Seus filhos, seja desfeita na pessoa bendita de Jesus. Que o amor e a amizade com Deus e com o próximo sejam nossas motivações diárias para o exercício da fé cristã. E que o Espírito de Deus seja sempre Aquele que nos faz andar na verdade.

A caminho do Céu,

L. Rogério

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