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Pastoral, Reflexões

Também acredito na igreja

Há uma expectativa ilusória sobre o ambiente comunitário da fé. As pessoas se frustram quando neste, são desprezadas ou feridas. Natural. Um lugar que pretende ser reflexo do ambiente celestial deveria também ecoar sua perfeição.

Porém, ainda que óbvio, é preciso reafirmar-se: igreja local são pessoas. Tão imperfeitas e complicadas quanto você e eu. Nossas neuroses são apenas diferentes, mas igualmente perturbadoras.

Por mais contraditório que pareça, talvez seja esse o ambiente mais favorável ao aperfeiçoamento, porque não há lapidação sem pressão! Como disse Rubem Alves, “uma ostra que não foi ferida não produz pérolas”.

Aos que tiveram seus corações feridos numa comunidade de fé, talvez seja revoltante o poetizar da dor, mas seria incoerente reproduzir o caminhar com Jesus sem o beijo dos Judas ou a negação dos Pedros.

A igreja não mudou. Para cada altruísmo de um Filho da Consolação existe um casal de Ananias e Safiras mentindo ao Espírito Santo. Em cada aliança de amizade sincera, ainda existem Paulos e Barnabés discutindo e se separando.

Contudo, não fazer parte de nenhuma comunidade de fé por estas serem imperfeitas é requerer para si um adjetivo que somente Cristo o pode carregar, o de perfeito. Alegar que é melhor isolar-se da comunhão do que pecar na murmuração é disfarçar a própria falta de amor.

Não desista da igreja! Lembre-se: ela começou com alguém que negou o Cristo por 3 vezes, mas teve uma nova chance. E este alguém era apenas uma pedrinha como você e eu.

Tolere as pedrinhas, firme-se na Rocha.

No amor do Pai,

Roger

(*) Grato ao Pr. Diego, pela amizade e inspiração.